Câncer de
Próstata
Por Ubirajara Ferreira
O câncer da próstata é a neoplasia mais freqüentemente diagnosticada nos homens e a terceira causa de morte por doença maligna, depois do câncer de pulmão e do cólon. É um tumor raro antes dos 50 anos, porém, após esta idade, sua incidência duplica a cada década de vida. Achados de autópsia demonstram que aos 80 anos, 70% dos homens apresentam carcinoma prostático.
Por estes dados, seria de se esperar um número enorme de homens morrendo de câncer da próstata, no entanto, pelas características peculiares desta doença, isso não ocorre. O risco de um homem, durante toda sua vida, desenvolver neoplasia maligna da próstata é ao redor de 30%; o risco deste tumor se tornar clínico é de 10%, e a chance de morrer por causa dele é de 3%. Este fato comprova a existência de uma quantidade considerável de tumores clinicamente desprezíveis ( ao redor de 90% ), com os quais e não pelos quais os pacientes morrerão.
O aumento na expectativa de vida e o emprego de um eficiente marcador tumoral, o PSA (antígeno prostático específico) fizeram com que aumentasse consideravelmente a incidência de casos diagnosticados, nas duas últimas décadas.
Com o incremento no diagnóstico de novos casos de câncer, surgiu um novo dilema: Como distinguir os pacientes portadores de neoplasia de evolução lenta e indolente dos que possuem tumores agressivos e potencialmente letais?
A graduação e o estadiamento da neoplasia, além da avaliação do seu volume inicial, representam importantes fatores prognósticos. Apesar do esforço das sociedades médicas e da intensa divulgação da doença, inclusive na imprensa leiga, cerca de 30% dos pacientes já apresentam doença avançada por ocasião do diagnóstico, o que impossibilita o tratamento curativo da moléstia.
Existe uma grande variação geográfica na prevalência do câncer da próstata. Enquanto na China a incidência de novos casos é ao redor de 0,8 por 100 mil habitantes, nos Estados Unidos chega a 100 por 100 mil habitantes por ano. Na cidade de São Paulo, são diagnosticados 22 casos novos por 100 mil habitantes cada ano. Nos Estados Unidos, é duas vezes mais freqüente em negros do que em brancos.
Os sintomas do carcinoma da próstata na fase inicial podem estar completamente ausentes. Na doença avançada, a sintomatologia pode se manifestar pela obstrução do fluxo urinário, com consequente piora da função renal. Ainda na fase avançada, podem ocorrer dores ósseas decorrentes das metástases. Hematúria, e edema de membros inferiores são manifestações pouco freqüentes.
O toque retal ainda se constitui num exame de suma importância. Na fase inicial, pode revelar a presença de um nódulo endurecido na próstata. Vale frisar que nem todo nódulo endurecido na próstata é câncer. Nos casos mais avançados, a glândula se apresenta com consistência dura, algumas vezes pétrea e fixa, podendo se perceber endurecimento das vesículas seminais.
Como a maioria dos cânceres se localiza na periferia da glândula (facilmente detectável) e os casos iniciais não apresentam sintomas, preconiza-se que todo homem acima de 45 anos submeta-se ao toque retal e à dosagem do PSA anualmente. Como já foi dito anteriormente, caso exista história familiar, a idade de início dos exames deve diminuir para 40 anos.
Caso haja alteração de um ou de outro, deve-se realizar a biópsia transretal da próstata.
A prostatectomia radical consiste na extirpação da próstata e das vesículas seminais, constituindo-se na forma cirúrgica de tratamento curativo.
A radioterapia pode ser indicada nos tumores localizados e nos localmente avançados. São dois os tipos de radioterapia atualmente empregadas: radioterapia externa conformacional ( utiliza computador para direcionar com maior precisão os raios ) e a radioterapia intersticial ( braquiterapia ).
O tratamento paliativo com bloqueio hormonal está indicado nos tumores localmente avançados ou metastáticos. O objetivo é bloquear os andrógenos provenientes dos testículos e das adrenais e, assim, suprimir o estímulo que eles exercem sobre as células tumorais prostáticas hormônio-sensíveis. Além da resposta clínica, pode-se monitorar a eficiência do bloqueio através dos níveis séricos da testosterona, que devem diminuir a níveis de castração ( < 50 ng/ml ) e através dos níveis de PSA que devem diminuir em, no mínimo, 50% dos valores iniciais. Deve ser iniciado quando da constatação da doença avançada, independentemente da sintomatologia, apesar de alguns autores preconizarem o BA apenas nos pacientes sintomáticos.

