Projetos
2012-2013
- I Jornada Urológica de Verão
- XII Jornada Paulista de Urologia
- Atlas Urológico 3D
- BIU - Boletim de Informações Urológicas
- Caminhada pela Saúde da Próstata
- Campanha "Consulte um Urologista"
- Congresso Paulista de Urologia
- Cursos Online - Atualização em Urologia
- Display de Consultório
- Hand's On Urológico
- Kit Consultório
- Manual de Condutas
- Proteus Intensivão
- Programa de Informatização de Consultórios (PIC)
- Urologia Fundamental
- Vídeo informativo Pacientes
- Vitrine Virtual - Área de Expositores
- Website SBU-SP
Projetos
Passados
Revista
BIU
Revalidação
do título
de
especialista
Em breve, e pela primeira vez no Brasil, os médicos especialistas que conseguiram seu título após 2006 deverão fazer sua revalidação. A revalidação é o processo no qual o médico prova que está atualizado, somando pelo menos 100 pontos a cada 5 anos. Verifique como conseguir esses pontos no site da CNA (http://www.cna-cap.org.br/resolucao.php)
Para tirar as muitas dúvidas que esse assunto suscita, entrevistamos o Dr. Aldemir Humberto Soares, secretário geral da AMB (Associação Médica Brasileira) seu representante na CNA (Comissão Nacional de Acreditação)
Dr. Aldemir, qual a importância da revalidação do título de especialista promovido pela AMB, CNA e Sociedades Médicas?
As Sociedades fazem uma avaliação e a AMB emite o título de especialista para um médico e 20, 30 anos depois, tanto as Sociedades como a AMB continuam dizendo que esse médico é um especialista, sem ter a mínima noção do que ele fez durante todo esse período, se ele continuou estudando, se desenvolvendo, se atualizando ou se ele simplesmente parou de trabalhar e nós continuamos afirmando que ele é um especialista e garantindo isso através de um documento emitido por nós. Nesse sentido foi que se resolveu que precisaríamos manter o médico brasileiro atualizado cientificamente.
Nos últimos tempos vimos o quanto a medicina evoluiu e precisamos ter certeza que o nosso médico tenha conhecimento disso tudo até para poder atender com segurança a população.
Por isso foi montado um sistema de atualização profissional. Quer dizer, não é uma revalidação simples de título, como às vezes surgem dúvidas: - tem que tirar um novo título, revalidar o título. Não. O médico tem que comprovar que durante esse tempo ele está se mantendo atualizado. Então, receberá um novo documento que será usado em complemento ao seu título que certifica que ele está atualizado naquela especialidade.
Vocês consideraram que era muito difícil fazer esse controle com os títulos emitidos antes de 2006?
Nós não consideramos difícil nem um pouco. O problema é que era preciso criar o mecanismo. O mundo todo está fazendo a recertificação profissional e o Brasil não havia dado nem um passo nesse sentido. Existe sempre uma discussão jurídica no Brasil que se chama “direito adquirido”. Se o médico já tinha o título antes de entrar em vigor esse sistema da CNA, ninguém poderia tirar o título dele. Nós preferimos não entrar nessa área e iniciar um novo processo.
De qualquer forma, penso que a sociedade vai fazer com que esse médico venha para a CNA. Do mesmo modo que quando a AMB lançou o título de especialista muita gente foi contra, não aceitava, e o que ocorreu foi que a sociedade provou isso. Hoje, você pergunta para qualquer pessoa e ela lhe responde que quer ir a um especialista que ela saiba reconhecer. Então o título de especialista ganhou importância. Nesse mesmo sentido, com o tempo, o certificado de atualização profissional será reconhecido e exigido pela própria sociedade.
Como é a realidade em outros países, as atualizações são recorrentes, ocorre essa revalidação também?
Quase toda a Europa já tem, com certa dificuldade nos países latinos, como Portugal e Espanha, mas com outros países já implantando. Na Holanda é obrigatório e o médico recebe inclusive, quando a medicina é socializada, benefícios financeiros se comprovar a atualização. No Canadá e nos Estados Unidos existem sistemas de revalidação. O mundo todo está buscando validar essa prática.
Na época da implantação da CNA no Brasil fomos conhecer todos esses sistemas, inclusive um de um país menor, a Costa Rica, no qual a revalidação já está em funcionamento. Claro que existem variações de um país para o outro, mas todos estão no mesmo caminho do Brasil, ou seja, exigir que o médico faça uma comprovação para a sociedade de sua constante atualização.
Após a implementação da CNA, essa será a primeira vez que a revalidação será feita. Você acredita que haverá dificuldades nesse processo?
O sistema implantado no Brasil é facilmente executado pelo médico, que pode atingir a pontuação com tranquilidade. Existem muitos eventos pontuáveis para o médico. Eu acredito inclusive que, no futuro, com o acompanhamento por parte da CNA, o processo se torne mais rígido. Hoje consideramos bastante simples o médico alcançar os 100 pontos exigidos em 5 anos. Isso não é nenhum absurdo dentro do que está acontecendo no país hoje. A quantidade de eventos é muito grande e algumas especialidade disponibilizam ao longo de 5 anos cerca de 3.000 pontos.
O que acontece se o médico não atingir a pontuação exigida? Ele terá que fazer a prova de título novamente ou uma prova específica?
O que irá ocorrer é que ele não irá receber a certificação e terá de esperar o ano seguinte para participar do processo novamente. Então um médico que em 2011 teria que comprovar a atualização e não conseguiu atingir a pontuação, terá que esperar 2012 para fazê-lo. Ele perde um ano. Temos hoje no país mais de 150 mil especialistas, então seria impossível movimentar toda essa massa de uma vez só.
O certificado perde a validade quando completa 5 anos? O título do especialista que não completou a pontuação para 2011 e tiver que esperar 2012 não será válido durante um ano?
Pela resolução o que vence é o registro do especialista no Conselho de Medicina. O médico permanece com o seu Título de Especialista, que é válido. No entanto, o título de especialista precisa de um complemento, que é o registro no Conselho de Medicina da especialidade dele. Aí ele está apto e liberado a declarar que é um especialista naquela área, para anunciar, para fazer qualquer coisa em relação à especialidade dele.
Enquanto não cumprir todos esses requisitos ele não está. 5 anos depois vence o registro dele no CRM. Se ele não comprovar que se atualizou, ele não renova
esse registro, o que quer dizer realmente que ele deveria parar de se declarar como especialista, porque perante o Conselho o registro dele venceu.
O médico corre o risco de estar com o registro de especialista vencido e ficar exposto aos problemas legais que isso pode trazer. Então não é mais o documento inicial que é o importante, mas sim a união desse documento com o registro válido no CRM que significa que ele está atualizado. Então há um prejuízo sim para médico. O médico às vezes não avaliou a situação corretamente achando que está com um documento válido na mão, que é claro que ninguém irá tomar dele, não é essa a nossa lógica, mas pela resolução vence o registro e ele não pode mais se declarar um especialista.
A AMB está fazendo um controle da pontuação dos especialistas. O médico precisa se cadastrar no site da CNA, pelo qual poderá ter o controle dos pontos que possui. Como está sendo esse processo? Está em pleno funcionamento? As Sociedades enviam os pontos de cada médico? O próprio especialista é quem deve enviar? Como está atualmente essa situação?
Em todos os eventos cadastrados na CNA o organizador tem a obrigação de, até trinta dias depois, nos passar a lista de quem recebeu pontos. Essa lista vai para um banco de dados que soma, em uma conta-corrente do médico na CNA, quantos pontos ele já tem acumulados na CNA. O especialista só comprova para a Comissão aquilo que é muito pessoal, como defesa de tese, publicação de trabalho, eventos no exterior que não estão cadastrados na CNA. Todos os eventos cadastrados na CNA ele não precisa nos enviar os pontos, porque os organizadores já o fazem.
Claro que nós não conseguimos controlar, hoje com mais de 16 mil eventos cadastrados na CNA, se a lista veio ou se ela está correta. Então, em muitos casos, o próprio médico é quem nos avisa. Nesses casos, conseguimos corrigir essas falhas. O que ocorre é que o volume é muito grande e às vezes os médicos também têm alguma dificuldade com isso. No entanto, estamos revisando todo o site e reformulando tudo para que funcione da melhor forma possível. A ideia é que o site funcione mesmo como uma conta-corrente.
O médico precisa se cadastrar para que possa ler a resolução e concorde com o processo. Outra coisa importante é que, ao se cadastrar, ele irá criar um login e senha próprios e só ele terá acesso a essa seção do site. Mesmo às Sociedade nós não damos acesso as contas pessoais dos médicos para que seja possível saber se eles estão se atualizando ou não. O processo é pessoal e exclusivo do médico. Por isso precisamos de todos esses mecanismos de segurança. Porque a ideia é não ficar expondo o médico, até mesmo à Sociedade a qual pertence, caso contrário a Sociedade poderia querer mandar cartas aos médicos que estão com pontuação insuficiente e a ideia não é essa. A intenção é que o processo seja exclusivo do médico e que ele trabalhe com aqueles dados.
A adesão à CNA é significativa?
Penso que sim. O que ocorre é que os médicos têm muito medo da CNA, de perder o título, quando na realidade ele irá deixar de ter um registro válido se não cumprir as exigências da Comissão. Tem ocorrido entendimentos errados a respeito desse assunto. Às vezes o médico pensa: - não vou me cadastrar porque vou perder meu título se não fizer 100 pontos. Na realidade não é isso. Ele irá perder o registro no Conselho, sem o qual não poderá se declarar especialista e estará exposto ao código de ética médica.
Você aconselha inclusive os especialistas mais antigos que não têm a obrigatoriedade, de se cadastraram na CNA?
Sim, porque, na realidade, não enxergo dificuldades no processo. Entendo que nenhum médico hoje pode continuar se isolando, sem participar de evento nenhum, sem participar de curso nenhum, sem se atualizar. Partimos desse princípio que não há mais espaço para isso. E para se completar 100 pontos com tantas opções de eventos, inclusive cursos à distância, pela internet, muitos deles gratuitos, não vejo razão para o médico temer o processo.
Existe algum dado de se houve melhora na formação dos especialistas com a revalidação do título?
Ainda não temos dados referentes à formação. O que já sabemos é que tem havido melhora na disponibilização de eventos, ou seja, tem acontecido mais eventos e tem havido uma melhora na qualidade desses eventos. É claro que o médico irá procurar eventos que tragam um benefício maior.
Os eventos estão melhor qualificados, com programas científicos muito melhores e em muitos casos inclusive mais baratos, o que facilita o acesso, o que é uma preocupação nossa.
Temíamos que o fato de os eventos oferecerem pontuações pela CNA elevasse o preço das inscrições, mas isso não tem ocorrido. É claro que existem exceções, tem gente que possa até estar tentando fazer isso, mas irão perder ao longo do tempo porque o número de eventos está aumentando.
Quanto à formação dos especialistas nós ainda não temos avaliação e acho que nesses primeiros 5 anos seria difícil de avaliar. Mas acreditamos que, do mesmo jeito que o título de especialista melhorou muito as especialidades, que esse processo também contribua muito. Mas essa avaliação seria para um prazo maior, como a partir de 10 anos da CNA.
Nesse ano a CNA passou a cobrar um porcentual de 3% sobre o maior valor das inscrições nos eventos cadastrados na Comissão. Por que essa cobrança passou a ser feita?
Esse porcentual estava previsto para ser cobrado desde a criação da CNA. O que ocorreu no início foi que a AMB e o Conselho Federal de Medicina (CFM) buscaram recursos para custear o processo nos primeiros três anos. Mas, desde o começo, havia a previsão de cobrança, já que a CNA trabalha para esses eventos e ajuda para que eles melhorem e que aumente a frequência, o que já tem ocorrido.
O objetivo sempre foi que a CNA buscasse uma autosustentação, porque não tem sentido a AMB e o CFM bancarem todo esse processo, que, a partir de agora, vai encarecendo muito. No começo tínhamos apenas um funcionário e
temos a necessidade de fazer um incremento significativo. Há um investimento muito pesado em informática, softwears. Todos os dados são armazenados, todo o trabalho da CNA é online, não há previsão de uso de papel, então o acumulo de informações é muito grande e há um alto custo para armazenar essas informações.
Já havia desde o início esse planejamento: nós lançamos o processo, mas ele precisa se autosustentar. Em cima disso, ele vem cobrando uma taxa de 3% sobre o maior valor de inscrição, o que avaliamos que não seja penoso dentro de um evento. Todos foram avisados antes para que pudessem se planejar e refazer os seus orçamentos de eventos.
Houve consulta às entidades, às Sociedades sobre essa cobrança?
Não, nós não temos que consultar as Sociedades. No entanto, houve uma extensa discussão a respeito desse assunto no Conselho Científico da AMB, que se reúne todos os meses. Durante dois anos debatemos esse tema, informando a todos os envolvidos que teria de haver a cobrança.
A AMB buscou atingir um porcentual que julgou ser suficiente, que eventualmente pode ser um pouco inferior ou superior ao necessário, mas que em nenhum momento é absurdamente superior. Pode ser que, como trabalhamos com previsão, ele seja um pouco superior ao necessário, mas, se isso ocorrer, a cobrança será readequada, o mesmo acontecendo se o valor atingido for inferior ao previsto.
A ideia básica é que esse processo se sustente, porque ele se sustentando, o mesmo recurso que a AMB e o CFM despenderam para criar esse mecanismo, poderão usar para criar outros mecanismos para favorecer o médico brasileiro, como por exemplo, projetos contra a proliferação de escolas médicas, ou medidas para discutir o salário dos médicos, tabelas, entre outros. A intenção é que, quando conseguir equalizar as despesas em um setor, começar a desenvolver outro.
A AMB e o CFM, em princípio, não precisam consultar ninguém, já que o
programa é deles, foram eles quem lançaram. As Sociedades recebem o benefício dos eventos, quando estes têm as maiores pontuações. Mas, assim mesmo, essa medida vem sendo discutida há muito tempo pelos membros do Conselho Científico da AMB e nas reuniões dos coordenadores da CNA.
Há sempre uma reclamação de que vai haver uma despesa, mas ela não é significativa. Alguns falam que o aporte de recurso será muito grande, mas é impressão, porque se o evento for gratuito, a CNA não cobra. Se o médico não pagar, a CNA não cobra. No entanto, temos absoluta certeza de que quem está pagando é o médico e não a Sociedade. A Sociedade foi avisada com muita antecedência e irá incorporar essa taxa nas despesas dela.
Isso não gera um risco de aumento no valor das inscrições?
Trabalhamos com a hipótese de que o valor do evento tem de cair porque existem muitos outros eventos e concorrência. Por isso mesmo nós não começamos cobrando, porque se fosse assim, o valor cobrado teria de ser muito maior e teríamos muito menos gente para pagar. Agora, quando temos em média 5 mil eventos por ano, não adianta subir o preço do evento porque não terei público.
O mecanismo é esse. Nem todos os médicos do país são sócios da AMB. Algo totalmente absurdo seria imaginar que o grupo de sócios da AMB sustente os não sócios, ou seja, aqueles que não contribuem com a Associação, num processo de revalidação.
Como explicar para o sócio que paga a AMB todos os meses que uma fração de sua mensalidade será destinada a sustentar um processo que o beneficia, mas beneficia também muitos outros médicos que não contribuem com a AMB. Esse processo tem esses complicadores. Quando você tem uma realidade na qual não temos 100% dos especialistas sócios da AMB, temos que explicar para aqueles que pagam porque estou gastando dinheiro com aqueles que não pagam.
O dinheiro arrecadado será reinvestido na própria CNA?
Todo o dinheiro arrecadado é da CNA e será reinvestido na própria Comissão, na evolução que ela vai passar daqui para frente, inclusive para criar mecanismos de divulgação para a sociedade, para as operadoras de plano de saúde, junto ao próprio governo, do processo de certificação.
É lógico que até o final de 2011 – 2012, teremos de começar a divulgar o processo. Há necessidade de investimento inclusive nesse sentido para que a sociedade saiba que existe um mecanismo brasileiro para que o médico se atualize.
O que temos absoluta certeza é que pode demorar 10 anos, mas a sociedade vai cobrar isso, vai querer saber se o médico está atualizado para se consular com ele.
O ÚLTIMO CONGRESSO DE UROLOGIA FOI FEITO COM INSCRIÇÃO GRATUITA PARA TODOS OS MEMBROS ADIMPLENTES. NÃO SERIA INJUSTO COBRAR UMA PORCENTAGEM SOBRE O MAIOR VALOR DE INSCRIÇÃO DOS NÃO SÓCIOS E MULTIPLICAR PELO NÚMERO DE INSCRITOS, SENDO QUE O EVENTO NÃO É “PROIBIDO” PARA OS NÃO SÓCIOS, QUE SÃO UMA MINORIA?
FALO UMA COISA QUE VALE TANTO PARA A UROLOGIA COMO PARA TODAS AS OUTRAS SOCIEDADES: TODOS OS SÓCIO DA URO QUE RECEBEM INSCRIÇÃO DE GRAÇA E TAMBÉM SÃO SÓCIOS DA AMB NÃO PRECISAM PAGAR A CNA, O PORCENTUAL DELES NÃO PRECISA VIR, BASTA VIR A LISTA DE PRESENTES. AGORA, SE ELE FOR SÓCIO SÓ DA URO, NÃO TEM OUTRO JEITO.
Por que o último preço? Por que o maior valor? Porque na realidade nós não quisemos criar nenhum mecanismo de conflito. Avaliamos durante muito tempo e talvez tenha sido o mais difícil de resolver: como cobrar. O porcentual a tesouraria de AMB detectou qual seria o necessário, mas como fazer o ajuste de cobrança, como conferir a lista, como saber que ela está certa, se o veio o valor correto de todos os participantes, isso foi o mais difícil de se resolver.
Explicamos isso naturalmente, como já foi explicado para a própria Comissão
de Especialistas que trabalha junto à CNA. Cada especialidade tem dois membros, um titular e um suplente, representantes junto à CNA, que são os primeiros avaliadores da pontuação para a especialidade. Para evitar a criação de conflito, pedido de explicações, optamos pelo maior valor.
O valor da inscrição dos sócios das Sociedades normalmente é mais baixo e nós iríamos receber listas dizendo que 100% eram sócios. Nós não queríamos entrar nesse conflito, de ter de pedir a lista de sócios das entidades.
Outra coisa, como quase todos os eventos têm dois, três preços de inscrição, todo mundo iria falar que as inscrições ocorreram três meses antes do evento. Sabemos que no Brasil as pessoas costumam deixar tudo para última hora e que metade se inscreve no dia do evento. Não podemos generalizar, mas 50 % ou mais dos presentes em congressos fazem a inscrição no dia do congresso, não fazem a inscrição antecipada.
Não há um prejuízo significativo. Será pago 3% sobre o maior valor e isso significa uma quantia para o médico, seja no começo ou no fim, e a Sociedade ajusta o seu orçamento em cima disso.
Outra coisa importante. Cobramos em cima da lista que a Sociedade nos enviar. Ela não precisa enviar a lista de quem não tem título de especialista, se ela identificar. Se a Sociedade enviar uma lista na qual conste o nome daqueles que não são especialistas, terá de pagar taxa sobre esses participantes. Mas se esse participante não for médico, não possuir título de especialista, o nome veio para a CNA à toa, não será aproveitado para efeito de pontuação.
Não checamos nome por nome quem é aquela pessoa. Quem checa é o sistema, que só busca quem tem título de especialista. Quem não tem título de especialista você pode isolar: esse aqui não precisa ir na lista para a CNA.
Se a Sociedade fizer esse controle, não tem problema. A lista que ela tem de enviar para a CNA não é obrigatoriamente a lista de todos os participantes. É a lista dos que merecem pontos. Basta que a Sociedade crie um mecanismo para identificar aqueles que realmente precisam contribuir. Não queremos também chegar em uma situação desagradável de ter de cobrar da Sociedade um nome de especialista que não veio na lista e participou do congresso. Nessa situação, A Sociedade teria que repor o nome e pagar de novo.
E lembrar também, para as Sociedades, que quem fez residência médica oficial, para a CNA, tem título de especialista. O sistema reconhece os dois tipos, tanto o da AMB como o da residência médica, porque os dois passam pelo mesmo processo de necessidade de revalidação.
ACHO QUE O BENEFÍCIO É PARA TODOS. APESAR DE NESTE MOMENTO ESTAR UM SUSTO, UMA CERTA COBRANÇA, ISSO É QUESTÃO DE TEMPO.
Não existiria uma forma mais democrática e fácil de fazer essa cobrança?
Nós não encontramos nenhuma outra forma mais democrática e fácil do que a adotada. Lembrando sempre que estudamos uma maneira de evitar qualquer conflito entre a AMB, a CMF e as Sociedades e Entidades de Especialistas. A intenção foi simplificar a forma de cobrança para evitar conflitos. Tudo o que não queremos é qualquer conflito nesse momento em que estamos dando o passo mais importante, que é virar o primeiro ciclo, fazer a primeira revalidação passados os primeiros 5 anos. É a hora em que estamos mostrando para a sociedade que esse processo já está valendo.
Uma coisa foi falarmos 4 anos atrás que havíamos criado um mecanismo de atualização dos médicos. Conversávamos com os jornalistas e dizíamos que o primeiro certifico só sairia dali a 5 anos e todos achavam que era um absurdo. Agora, quando a hora chega, nós podemos dizer: já temos o mecanismo. Aí ele ganha em importância.
Do montante arrecadado nada irá para a AMB, tudo ficará na CNA?
Tudo para a CNA. Esse dinheiro não é para a AMB, cuja sustentação vem da contribuição de seus sócios e de outras ações que desenvolve.
Analisando a tabela de pontuação da CNA percebe-se que é dada prioridade aos eventos realizados dentro do Brasil? Pela pontuação da CNA congressos internacionais valem 5 pontos, enquanto os nacionais valem 20. Por que é dada essa prioridade aos eventos realizados dentro do Brasil ?
É para priorizar os eventos nacionais e as Sociedades de Especialidade filiadas à CNA. Não queremos incentivar apenas que o médico vá para o exterior, queremos que eles façam as atualizações dentro do Brasil. Outro fator é que temos qualquer tipo de congresso no exterior, e por isso fazemos uma consulta à Sociedade daquela especialidade para saber se ela referende aquele evento. Escutamos sempre as Sociedades, porque se elas julgarem determinados eventos como muito fracos, eles não valerão pontos.
Essa prioridade se reflete também na medida em que nenhum evento fora da Sociedade de Especialidade vale mais de 10 pontos. São 20 pontos para o Congresso Brasileiro da Especialidade, independente de sua programação científica. 20 ponto significaria ao menos 40 horas/aula seguidas. Se o Congresso tiver 20 ou 30 horas/aula irá valer 20 pontos da mesma forma. Além disso, são 15 pontos para as jornadas e congressos regionais da Sociedade de Especialidade.
Quando falamos das Sociedades, estamos nos referindo apenas aquelas filiadas à AMB. Se existisse, por exemplo, uma Sociedade Brasileira de Urologia B, um Congresso Brasileiro dela não teria 20 pontos, entraria na pontuação de curso comum, com um máximo de 10 pontos.
Os 20 pontos do Congresso Nacional da Especialidade equivalem à pontuação dada a um mestrado ou doutorado, por exemplo.
Fundamentalmente a CNA não é uma atualização acadêmica e sim uma atualização profissional. O especialista deve estar trabalhando no dia a dia, na prática. Aqueles que estão na universidade nunca foram uma preocupação da
Comissão, pois estes já estão naturalmente se atualizando.
Para o médico fazer uma tese de doutorado leva de 2 a 3 anos. Nesse período ele publica diversos trabalhos, frequenta eventos, dá aulas em congressos, ou seja, com certeza esse profissional irá atingir os 100 pontos.
Quando recebemos críticas pela pontuação de uma tese, afirmamos que no período no qual o especialista está desenvolvendo o seu trabalho ele está pontuando de outras formas, ou seja, a tese não precisaria nem receber pontuação.
A CNA não foi desenvolvida para este público, que está nas universidades. Para eles, não precisaria ser criado nenhum mecanismo.
Você afirmou que é possível que o rigor da CNA aumente, isso irá se refletir na pontuação que o médico deverá alcançar no futuro?
Não seria um aumento do rigor da pontuação e sim de um mecanismo de fiscalização dos eventos, de uma melhor organização destes. Hoje recebemos projetos de eventos com uma quantidade de horas/aulas que não se reflete a realidade. A CNA não tem, no momento, capacidade de fazer esse controle em todo o Brasil.
Com os recursos financeiros poderemos fazer investimentos em auditorias, em uma maior fiscalização. Mesmo que seja um controle esporádico, começamos a ter algum mecanismo para exercer essa função.
O ideal seria chegarmos a um patamar de contratar uma auditoria totalmente independente. Por exemplo, poder contratar alguém para ir a um Congresso com as despesas pagas para conferir se o que está escrito no programa é o que realmente acontece.
A CNA precisa de recursos para que possa criar esses mecanismos, principalmente de controle. Poder montar representações em todos os Estados, aproximar mais o processo dos médicos e Sociedades Médicas. Precisamos garantir que eventos tenham qualidade e que a Comissão não esteja sendo
enganada. A intenção é aprimorar a CNA para que consiga fiscalizar com eficácia os eventos e aquele que estiverem em desacordo, ou seja, entregando um produto diferente daquele inicialmente oferecido, sejam desacreditados e não possam mais cadastrar seus eventos na CNA.
Ainda há muito a ser feito.


