Projetos
2012-2013
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Passados
Revista
BIU
Branco X
Avental
Introdução
O uso da roupa branca pelos médicos é relativamente recente, aparecendo a partir da segunda metade do século XIX. Com as descobertas de Pasteur (séc. XIX) mostrando a possibilidade de transmissão/contaminação através das mãos e roupas, a limpeza e assepsia médico-hospitalar tornaram-se mais presentes, fazendo com que a utilização do branco pelo meio médico fosse cada vez maior, como sinal de limpeza e higiene.
No decorrer do século XX, o seu uso foi cada vez mais frequente, adquirindo características variadas, como o tipo de tecido e cortes especiais. O avental, mais utilizado na Europa e EUA, vem ganhando força, principalmente nos grandes centros.
Até hoje, o uso de roupas brancas ou avental é objeto de discussão. Anos atrás, na década de 60 no município de São Paulo, houve uma tentativa de regulamentação do traje a ser usado entre os profissionais de saúde (médicos e enfermeiros). Mais recentemente, no Reino Unido, o questionamento do uso de aventais de mangas longas e gravatas ainda traz dúvidas sobre a possibilidade de contaminação, sendo inclusive recomendado a não utilização de mangas longas, blusas, relógios e bijuterias. No Brasil, um projeto de lei de 2009 tenta restringir o uso de aventais exclusivamente ao ambiente hospitalar.
O BIU resolveu escutar a opinião de alguns de seus associados para esclarecer os prós e contras do uso de roupas brancas e do avental, confira.
Dr.
Claúdio
José
Ramos de
Almeida
1. Por que você prefere usar do Jaleco ao invés de Roupas Brancas?
Por ser mais prático, além disso, propicia não ser utilizado em locais públicos ou inadequados.
2. Você acha que a maneira como se veste influência em como os pacientes lhe vêem? A roupa para o médico é um símbolo de status, de respeito perante a sociedade?
Sem dúvida, representa um símbolo já consagrado e é dessa forma que o paciente espera.
3. Em grandes centros urbanos, como a cidade de São Paulo, o jaleco predomina sobre as roupas brancas entre os médicos. No entanto, em cidades do interior do Estado de São Paulo e do Brasil a roupa branca ainda é a preferência. Você pensa que existe alguma razão em especial para que isso ocorra?
Não sei a razão.
4. No seu entendimento o uso da mesma roupa em diferentes ambientes (como o hospital e a sua própria casa) contribui para o aumento do risco de contaminação?
Acredito que o uso indiscriminado do jaleco, ou seja, usando em locais públicos, restaurantes, etc., etc.; aumenta sim o risco de contaminação.
Dr.
Flávio
Eduardo
Trigo
Rocha
1. Por que você prefere usar do Jaleco ao invés de Roupas Brancas?
Porque me dá mais liberdade. Quando preciso ir a vários lugares posso usar roupas normais. Quando vou a um hospital ou consultório simplesmente pego o jaleco e coloco.
2. Você acha que a maneira como se veste influência em como os pacientes lhe vêem? A roupa para o médico é um símbolo de status, de respeito perante a sociedade?
Acho que o médico deve andar sempre limpo e bem vestido, isto é uma atitude de respeito em relação aos pacientes. No entanto não é necessário o uso de roupa branca para isto. Se você usar roupas sociais, muitas vezes com uma gravata e um jaleco limpo você estará vestido de forma adequada para o exercício da profissão. Quanto a posição de status realmente não tenho esta preocupação.
3. Em grandes centros urbanos, como a cidade de São Paulo, o jaleco predomina sobre as roupas brancas entre os médicos. No entanto, em cidades do interior do Estado de São Paulo e do Brasil a roupa branca ainda é a preferência. Você pensa que existe alguma razão em especial para que isso ocorra?
Acho que nas cidades menores as atividades dos médicos se concentram nos mesmos locais. Além disso, se ocorrer algum acidente que suje a roupa branca o médico pode facilmente retornar a sua casa e trocá-la o que não é fácil em cidades grandes.
4. No seu entendimento o uso da mesma roupa em diferentes ambientes (como o hospital e a sua própria casa) contribui para o aumento do risco de contaminação?
Acho que já está mais co que provado que a roupa desde que limpa não propicia infecções. Outros cuidados como lavar frequentemente as mãos tem um papel muito maior nesta prevenção.
Dr. Hélio
Begliomini
1. Por que você ainda prefere usar Roupas Brancas ao invés do Jaleco?
A roupa branca tem caracterizado, no Brasil, há mais de meio século os profissionais da saúde e, dentre eles, mui particularmente os médicos. Além da roupa branca, que ainda visto em 90% das ocasiões de trabalho, às vezes uso o avental ou guarda-pó branco.
2. Você acha que a maneira como se veste influencia em como os pacientes lhe veem?
Sim, acredito que não somente a roupa, mas a maneira como nos apresentamos pode influenciar o relacionamento médico-paciente. Entretanto, considero que se apresentar bem no trabalho médico, não é ser ostensivo ou muito formal ao se vestir. Hoje em dia vemos um verdadeiro caleidoscópio na apresentação do médico, encontrando desde aqueles (as) que se apresentam com cabelos despenteados, longos e presos com laços ou tiaras; barbas por fazer; jeans desbotados, rasgados, com barras desfiadas; tênis surrados, brincos, piercings e tatuagens... até aqueles que, por gostarem de imitar os norte-americanos ou muitas vezes por quererem mesmo impressionar, usam gravatas, blazers e ternos. Acredito também que nesses extremos poderá haver bloqueio ou prejuízo na relação entre o profissional e o paciente.
3. A roupa para o médico é um símbolo de status, de respeito perante a sociedade?
Deveríamos nos orgulhar não pelo que temos ou pelos penduricalhos que amealhamos ou ostentamos, mas, simplesmente pelo que somos. Em outras palavras, deveríamos nos enobrecer por sermos médicos e não por utilizar essa ou aquela roupa. Nada melhor do que ilustrar a correlação de um uniforme (vestimenta) e uma missão do que o aforismo de Napoleão Bonaparte (1769-1821): “Tornamo-nos no homem do uniforme que usamos”. Desafortunadamente, o desuso do branco pelos profissionais da medicina, particularmente no Brasil – país tropical e subtropical, onde em sua maior parte territorial impera temperaturas elevadas ao longo do ano – é mais um sinal ou um sintoma de que está mudando a identidade ideológica do médico, o qual tem se tornado mais pragmático, mais utilitarista, menos comprometido com o paciente, menos propenso a atender pacientes de consultório próprio e, infelizmente, menos humanista.
4. Em grandes centros urbanos, como a cidade de São Paulo, o jaleco predomina sobre as roupas brancas entre os médicos. No entanto, em cidades do interior do Estado de São Paulo e do Brasil a roupa branca ainda é a preferência. Você pensa que existe alguma razão em especial para que isso ocorra?
Infelizmente, pressinto que a roupa branca para o médico brasileiro seja um hábito em extinção. Hoje em dia, a roupa branca ainda é usada em sua maioria por médicos formados há mais de 25 ou 30 anos e, dentre esses, muitos também não a utilizam mais, tanto na capital quanto no interior.
Lembro-me da alegria e do orgulho que nós, acadêmicos, outrora sentíamos quando começávamos nossa prática hospitalar com o uso da roupa branca, ainda no terceiro ano de nossa graduação. Tínhamos quatro anos para nos acostumar com o uso da roupa branca, além do tempo da residência médica. Há muito tempo e em diversas faculdades de medicina em nosso país, isso já não ocorre mais e, consequentemente, num futuro próximo não haverá mais médicos que utilizarão roupas brancas.
5. No seu entendimento o uso da mesma roupa em diferentes ambientes (como no hospital e na sua própria casa) contribui para o aumento do risco de contaminação?
Desconheço estudos com este objetivo. Penso que o uso da roupa branca seja mais propício a um mais rigoroso asseio pessoal, uma vez que nela qualquer sujeira se torna evidente, motivando sua troca diária, prática essa que pode ser negligenciada ou mesmo camuflada quando se veste com roupas escuras. Por outro lado, conheço vários colegas que trabalham com qualquer roupa, sem o uso do avental (guarda-pó) ou do jaleco. Vários daqueles que o vestem, utilizam-no aberto (!!!) devido às altas temperaturas em nosso país, “desprotegendo” toda a frente do profissional. Ademais, o uso do avental em clima quente, predispõe a uma maior transpiração e pior asseio, além de menor mobilidade no trabalho, particularmente no exame do paciente, em pequenos procedimentos e em prontos-socorros.
Dr.
William
Carlos
Nahas
1. Por que você ainda prefere usar Roupas Brancas ao invés do Jaleco?
Realmente minha preferência é pela roupa branca. Parece-me muito mais prática e sem dúvida mais higiênica, em ordem. O branco obriga a um asseio e cuidado maior com a roupa, raramente pode ser repetido no dia seguinte. Em um país tropical constitui uma forma mais adequada de se vestir para nossas longas jornadas de trabalho. Vale a pena lembrar da importância de se trocar o jaleco diariamente.
2. Você acha que a maneira como se veste influência em como os pacientes lhe vêem? A roupa para o médico é um símbolo de status, de respeito perante a sociedade?
A roupa, sem dúvida alguma não é o fator primordial no relacionamento com o paciente. Entretanto o asseio e cuidado em se vestir e na forma de se apresentar são importantes aspectos e também são valorizados pelos pacientes. Não creio que a roupa seja um símbolo de status.
3. Em grandes centros urbanos, como a cidade de São Paulo, o jaleco predomina sobre as roupas brancas entre os médicos. No entanto, em cidades do interior do Estado de São Paulo e do Brasil a roupa branca ainda é a preferência. Você pensa que existe alguma razão em especial para que isso ocorra?
Tenho impressão que nos grandes centros sofremos maior influência da cultura americana, onde os médicos usam na quase totalidade a gravata e o jaleco. É importante lembrar que nos EUA o cirurgião ao chegar ao hospital troca sua roupa por uma vestimenta, semelhante a aquela que usamos no centro cirúrgico, permanecendo desta forma trajada até o final do dia.
4. No seu entendimento o uso da mesma roupa em diferentes ambientes (como o hospital e a sua própria casa) contribui para o aumento do risco de contaminação?
Está resposte depende do local do trabalho e o tipo de trabalho em que o médico está envolvido. O risco me parece maior para nossos familiares do que para o paciente, uma vez que o perigo não vem da contaminação que se possa adquirir em casa, mas de agentes que entramos em contato no ambiente hospitalar.


